Cafofo


DESGRACEIRA

Preparem-se, este é um desabafo intimista e sensível, se vc não está a fim de gente chorando as pitangas caia fora, pois é isso que eu vou fazer aqui e agora. Aceito colo, carinho, amor e compreensão e dispenso toda e qualquer crítica destrutiva, porque destruída eu já me encontro.

Hoje foi muito foda. Muito, muito foda. E é só por isso que me permito publicar algo tão íntimo.

Estava feliz, louca pra ir na casa do meu pai pegar uns livros que ganhei quando era pequena pra usar as ilustrações que já tinham finalidade certa e promissora. Desci até antes do pai chegar com medo de perder a carona.

Ao chegar, após a atenção obrigatória para o cãozinho fui correndo procurar os tais livros. E vira, e revira aquele que era o meu antigo quarto e nada. Ao perguntar pro senhor meu pai onde estavam os ditos, ele respondeu fria e estupidamente que tinha os “dado embora”, como costumamos dizer.

Meu coração disparou e na hora lágrimas jorraram dos meus olhos, entrei em estado de choque. Choque mesmo. Nervoso. Todos os livros de minha infância, que eram da minha mãe, que ela passou pra mim e eu sonhava em passar pros meus filhos, quando os tivesse, tudo, todas essas lembranças, todas as emoções que me vinha quando os folheava, os sonhos, os devaneios, os por quês?, serás!, comos? Tudo isso foi arrancado de mim, senti como se minha infância tivesse sido amputada do meu corpo, da pouca matéria que ainda existia sobre os bons tempos. Eu sou artista, minha ligação com a cultura em geral é latente, é venosa.

Só quem tem sensibilidade vai entender isso. Após essa primeira infância tudo o que se refere ao meu pai é triste, doloroso e me dá raiva. E ele jogou o que era bom fora. Tentou apagar a minha história, o meu passado. Me expulsou literalmente de todo um passado que talvez ele se arrependa de ter tido.

E o pior é que eu sei que ele fez de propósito. Pode não ser consciente, mas eu sei que tinha uma intenção, uma certa vingança muito forte nessa atitude. É muito triste ter a certeza de que o meu próprio pai não gosta de mim, que guarda em suma sentimentos negativos sobre mim.

E nem me venham defendê-lo ou justificá-lo, por que SÓ EU sei o pai que eu tenho e toda a nossa história.

Fiz ele me levar até a tal creche que ele dizia ter doado. Lá na puta que o pariu, e quando eu cheguei nem era uma creche, era um brechó-sebo. Ambiente familiar até. Umas poucas estantes pequenas de livros lá no fundo. Deixei a bolsa em uma das prateleira e iniciei a procura. Livro por livro. Olhando tudo. E chorava, desabava, escorria, e ia até a bolsa pegar papel e continuava. Umas várias vezes. Mas teve uma hora em que fui até a bolsa pegar o papel e a bolsa não estava lá. Perguntei, procurei, e agora então desgraça pouca é bobagem, minha bolsa foi roubada inteirinha. Com todos os meus documentos, celular, a grana que ganhei trabalhando o final de semana que nem uma imbecil, chave de casa, minhas coisas, meu tudo!!!!

Algum desgraçado se aproveitou do meu terrível momento e me roubou, sim, pq todo mundo ali viu o meu estado.

Na hora até voltei para o meu centro, desesperar mais era impossível, não havia estágio abaixo do que eu já estava. Então sosseguei. Entrei no carro com meu pai e fomos dar um role pra ver se achávamos o infortunado ou infortunada que fez essa maldade sem escrúpulos. E lógico que foi um role em vão, sim, pq a raiva era tanta que Deus deve ter achado melhor nem colocar o tal do meu caminho, senão eu o cacetaria demais, libertaria toda a minha ira, principalmente a dos livros, que era e ainda é maior do que a da bolsa.

Enfim, após tudo isso iniciei as minhas reflexões sobre a situação toda e tirei algumas conclusões sobre isso tudo, que nem vou falar porque são minhas e da minha terapeuta, mas vou deixar uma frase de um Ensinamento Sagrado que minha mãe me deu depois disso tudo que me ajudou a despertar um pouquinho:

 

VOCÊ RECEBE AS ONDAS QUE VOCÊ EMITE

 

E eu sei que a raiva e todos os sentimentos negativos que eu sintonizei naquela hora contribuíram para o simbólico (e literal) roubo da minha identidade.

Parei, vai!

 Escrito por Cazinha às 20:37
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]




 



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Mulher, de 20 a 25 anos, Cinema e vídeo, Arte e cultura
Histórico
  16/11/2004 a 30/11/2004
  16/10/2004 a 31/10/2004
  01/10/2004 a 15/10/2004
  16/09/2004 a 30/09/2004
  01/09/2004 a 15/09/2004
  16/08/2004 a 31/08/2004
  01/08/2004 a 15/08/2004
  16/07/2004 a 31/07/2004
  01/07/2004 a 15/07/2004
  16/06/2004 a 30/06/2004


Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  RTV Meto
  Légia
  Paulinho
  Tio Pipo
  Cherry
  Rosebud
  Benny
  Diniz
  Lilith
  Luna
  Marjory
  Conversa de Mulheres
  Dehco
  Josie Doze
  Justi
  Orkut
  Pussy Cat
Votação
  Dê uma nota para meu blog



O que é isto?